10 abril 2014

Quando teus olhos fecharam


Outono. Uma manhã. O teu coração. O meu.
Eu fecho meus olhos por um instante e o tempo foge lá para trás. É verão. Tem sol. Tem você. Tem eu. Na verdade, tem todos nós. Os risos. As brigas. As reclamações. Os abraços. As histórias. Tudo. Teu colo. Teu cheiro.
Abro os olhos. Percebo a calamidade que me rodeia. O teu olho, quase imóvel. Tua alma com o mesmo jeito doce de ser. O nosso último abraço. Lágrimas.
Ninguém quer. Eu não quero. Te perder. Não. Fica. Não vai. Me cuida. Continua comigo. Continua conosco.
Teus olhos vão fechando. Tua respiração está mais fraca. Tu estás tão fraca. Nós estamos tão... fracos. Vai ver é isso mesmo, o ser humano não passa de um fraco. Eu sei. Eu sei que nascemos, vivemos e morremos. Mas no final não somos mais que nada. Não podemos fazer nada. Eu não queria te deixar ir assim. Mas eu não sou nada. Não consegui fazer nada. Desculpa.
Teus olhos fecharam. Tua respiração parou. Tu se foi. Tranquila. Foi. E eu, aqui, desamparada de teu colo. Por que tu foste? Já estava na hora. Hora injusta.
E agora, eu fiquei. Tu se foi. A saudade ficou. Vai ficar. Até a gente se encontrar.

(Homenagem a minha amada vó, que se foi no dia 09.04.14, fica com Deus e olhe por nós.)

06 abril 2014

Resenha: Cartas a Amélia


Boa noite, leitores, como estão? Hoje venho trazer-lhes a resenha do livro Cartas a Amélia, de Pedro Costi, parceiro literário do Depois do Café.
De antemão, digo-lhes que a história de Pierre fez-me ter um novo olhar sobre o mundo, a vida e tudo mais.
Resenha: A história fala de Pierre ou talvez Pierre fale da história. Pierre, o poeta. Em busca de encontrar algo que nem ele sabe, Pierre sai em uma viagem e encontra muito mais do que esperava: encontra a si. Toda história é contada através de cartas, cartas a Amélia, o seu grande amor.
Pierre tem vinte e sete anos e viaja para lugares da França em busca de, como diz "Acho que busco paz. Ou um sorriso".
Na sua vivência, Pierre reflete sobre a vida e o sentido que ela nos é dado. O livro possui 173 páginas de pura poesia. Várias de suas reflexões em meio de seus devaneios chamaram-me a atenção. "E se a loucura for contagiosa, minha querida Amélia, e formos todos loucos? Isso nos torna sãos?".
O dia 1 começa quando Pierre parte de seu apartamento, em algum lugar a oeste, com apenas "alguns pares de meias e um lápis, entre outras coisas indispensáveis ao crescimento humano - como meu kit engraxate. Trouxe meu ioiô. (...) No meu bolso direito, guardei uma caneta e um metro de barbante. No esquerdo, minha carteira e uma concha. No bolso do casaco, um caderno e dois botões reserva. Por quê? Ora, não sei quanto tempo terá minha viagem, e não há desastre maior que perder os próprios botões."
Em sua primeira viagem, Pierre conhece uma senhora chamada Sofia, em que dela ganhou um cachecol e muitas lembranças. Em outra, conhece um louco, em que dele ganhou um corvo e palavras bonitas. Conheceu também Francis, uma estátua viva que lhe deu a poesia em forma de silêncio. Léon, outro grande amigo que conheceu. Este, por sua vez, um músico que carregava em si o dom da melodia. "Cantar com a alma. O segredo. Afinal, o segredo de todas as coisas. Fazê-las com a alma". Encantou-se com Anne, a artista florista que deu-lhe a chance de ver a verdadeira beleza de uma rosa amarela. Conheceu a doce Gabrielle, da qual roubou seu afeto e alguns chás de manjerona e outros de lavanda. A pequena Agnès, não tão pequena quanto sua alma gigantesca. Creio que os ensinamentos de crianças são aqueles dos mais sábios. Conheceu tantas pessoas, todos artistas e poetas da vida. Cada um na sua mais variada imperfeição. Cada um tão humano. Cada um em sua perfeição. "E foi então que decidi, Amélia, que a raça humana ainda tem esperança. O mundo está cheio de poetas, e nem todos desgraçados! Isso me conforta quase tanto quanto teu abraço".
Todas essas partidas, encontros, beijos, abraços, vinhos e Chopin, tudo serviu para o encontro do que Pierre buscava. E tudo isso para encontrar o que eu, mera leitora, nem esperava encontrar. Nessas doces palavras de Costi, encontrei a vida envelopada na poesia. 
"Minha jornada chegou ao fim, minha doce, linda Amélia. Minha poesia está pronta. Minha alma está pronta. Eu estou pronto. Começarei uma nova vida por aqui. Gosto das memórias e da proximidade que a água me proporciona. Gosto de ouvir teu nome".
Houve partes do livro que fiquei abismada com a beleza de cada palavra que meus olhos percorriam. Questionei-me, do início ao fim, sobre a existência de Amélia. As cartas, das quais ainda não haviam sido enviadas, estavam ali, quietinhas esperando a hora de mostrar sua beleza. 
Sobre Cartas a Amélia? Leia e, somente depois, perceba a graça de toda a vida e o sentido que nós, humanos-poetas ou poetas-humanos podemos lhe dar.
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Classificação do DDC:



30 março 2014

Sobre ausência, desculpas e vida de gente grande


Olá leitores, estão todos bem? Já faz algumas semanas que eu não posto no Depois do Café, hoje venho me desculpar e explicar os motivos. 
Bom, a temporada de provas e trabalhos na escola começou, um motivo para eu ter deixado o blog de lado para me dedicar ao estudo. O cursinho a noite também começou. Conciliar tudo com o trabalho a tarde não é tão simples, ainda mais que esse ano sou uma vestibulanda. Enfim, esse período longe do Depois do Café foi por extrema dedicação aos estudos. 
Ficar longe do Depois do Café não é nem um pouco fácil para mim. Eu sou completamente apaixonada por esse blog e criei ele justamente para compartilhar os meus pensamentos com o mundo inteiro. Não é e nunca foi um trabalho ou obrigação ficar postando aqui. Só que me deixa profundamente triste ter que deixá-lo de lado de vez em quando. Mas é necessário.
Na verdade, minha rotina esse ano está completamente diferente. Essa vida de gente grande não é fácil e tampouco divertida. Mas eu tenho um foco na vida, objetivos e sonhos e por isso prefiro sacrificar algumas coisas para alcançar o que eu sempre quis. Eu estou me esforçando, de verdade, para final do ano prestar vestibular e sair bem colocada. Mas a frequência de posts no blog vai diminuir. Eu não estou feliz com isso. Mas é necessário. Essa experiência de ser uma mulher responsável e blá blá blá me mostrou que nem tudo que nós queremos, nós temos.
Essa ausência não é permanente. Juro que vou postar sempre que puder. Vou triplicar os minutos para poder ficar aqui. Não é tão fácil assim, mas o Depois do Café não vai parar.
Espero, sinceramente, que vocês leitores entendam a minha ausência. Eu vou estar aqui sempre que puder.
Muitos beijos, 
Victoria Debortoli 

13 março 2014

Não somos apenas números


Os números, esses que aprendemos quando crianças e levamos para o resto de nossas vidas. Primeiro, aprendemos a contá-los: um, dois, três. É uma façanha cada vez que os repetimos. Logo, nos ensinam a fazer contas com eles: somar, subtrair, dividir e multiplicar. Quado crianças, não percebemos a dimensão dos números. Quando crescemos, vemos que eles já não se encontram apenas em livros matemáticos, mas em todos as disciplinas escolares. E vão além. Descobrimos que o mundo tem um número x de pessoas, que x números de pessoas preferem a cor azul, que x número de pessoas preferem cabelos ruivos a loiros, entre tantos outros exemplos. Até esse ponto, tudo bem. Seria impossível dizer que o mundo todo conta com Maria, Ana, Pedro, João... Enlouquecedor.
O problema é quando esse número toma a frente do nosso humanismo. Não somos apenas números. Temos sentimentos. Pensamento. Vivemos. Respiramos. Amamos. Devemos ser tratados como tal. Porém, chega um dia em que você conhece alguém e compartilha com ele todos seus pensamentos. Você já não trata esse alguém como o número um ou dois, mas sim o único. Então, chega um dia em que você descobre que o mais um na verdade é você. Esse alguém que você tornou único, simplesmente não te retornou da forma que você esperava. Nada de julgamentos com as pessoas, nem sempre os atos são feitos pensados e sentidos. A maioria deles é apenas pensado. Depois de todo esse caos existencial, você perde o rumo da situação. Pensa que todos o ignoram, quer correr e se esconder. Não é o fim. Nunca seremos apenas números.
O que a maioria das pessoas não compreende é que assim como somos amados por alguns, não fazemos a mínima diferença para outros. Isso não é ser ignorado ou não amado. Isso apenas é a vida. Mas antes de qualquer pessoa te dizer que você não é só mais um, você precisa dar-se conta desse fato por si só. Se nos dermos conta do nosso próprio valor, haverá muito menos decepções por esse conceito numérico que nos é imposto. Se o pedirem para subtrair, subtraia sem pensar duas vezes. Agora, se pedirem para somar, some todo seu amor com o do mundo e seja feliz com seus pensamentos.

11 março 2014

Depois do Café mais Parceria Literária


Olá leitores, como estão? O blog está muito bem e com novidade: uma nova parceria literária. Dessa vez é com o autor de Cartas a Amélia, Pedro Costi.




Sinopse:
Ao iniciar uma viagem que busca descobrir o mundo e a si mesmo, Pierre relata, através de cartas destinadas a sua amada Amélia, um profundo questionamento filosófico sobre a vida, o ser e a alma humana. Poesia, amor, tristeza, solidão e todos os sentimentos que permeiam o espírito são aludidos e inquiridos com extrema sensibilidade. "Cartas a Amélia" promete proporcionar ao leitor um verdadeiro mergulho filosófico à essência humana, que busca sanar indagações e trazer acalanto à alma.



Sobre o autor, Pedro Costi:

"Sobre mim, tomo a liberdade de escrever em primeira pessoa: Nasci em 1994, em Caxias do Sul. Desde pequeno, tendo a sorte de ter uma família amante insaciável de cultura, aprendi a poetizar o mundo. Cresci entre música, literatura, dança, teatro, desenho e poesia. Dizem que os únicos páreos a dialogar com os Filósofos sempre foram os Poetas. Na minha opinião, pouco muda entre estes e aqueles.
Depois de muitos anos que quase não cabem em 20, descobri que minha poesia poderia fazer diferença não só em mim, mas também em quem me lesse. Nos meus 18 anos, empolgadíssimo, pus-me a escrever a história de Pierre, o poeta nômade com o qual todos conversamos baixinho, quando estamos sozinhos. E, ao ver a narrativa crescer, vi-me crescer e ele [Pierre] comigo. Dentro de mim, também. E é o que espero que aconteça dentro do leitor.
Cartas a Amélia não é um livro entalhado em uma rocha qualquer. Ele não é estático. Saiu de meus dedos, mas quem o dá vida é o leitor. Se for lido com a alma, ele pulsa a cada encontro. A cada vocativo."

Dados do livro:
Páginas: 176
Data de lançamento: 03/02/2014
Formato: 21X14 cm
Acabamento: brochura
ISBN:978-85-428-0166-8
Categoria: Ficção; Literatura brasileira

Onde comprar?

Mais?

O livro chegou hoje em minha casa. Li dois capítulos e não me decepcionei nem um pouco, muito pelo contrário, é como se eu sentisse vida nas palavras de Costi. Estou louca para devorar aquelas belas palavras por inteiro. Logo tem resenha no Depois do Café.

04 março 2014

Enfrentando nossos medos


Medo - do latim Medus, significa estado emocional resultante da consciência de perigo ou ameaça; ausência de coragem; preocupação com determinado fato. O tão temido medo. Em dicionários, a definição é clara. Na nossa consciência, não. Quando estamos com medo, a sensação que sentimos foge do nosso controle e sua definição não é tão fácil.
Cada um tem seu medo: medo de altura, do fundo do mar, de palhaços, de fatos sobrenaturais, da morte, da vida, enfim, são dos mais diversos gêneros. 
Quando estamos prestes a enfrentar aquilo que consideramos o monstro de sete cabeças - geralmente enfrentamos quando somos obrigados a fazê-lo - esse monstro cria pelo menos umas vinte cabeças a mais. Tudo fica distorcido e a visão de mundo parece não fazer sentido. O medo se transforma em pânico. O pânico nos toma por completo e, por fim, o medo toma a nossa consciência. Nessa altura, já são diversos monstros com milhares de cabeças. 
É chegado a fatídica hora. Vamos lutar cara a cara com aquele medo mesquinho. Na hora, mesmo com a mão tremendo, uma súbita vontade sobe pelo nosso corpo. Ela quer falar, ou melhor, quer gritar tanta coisa com o medo. 
Agora, somos eu e o medo no ringue de luta. Eu ganho o primeiro soco, direto no rosto. Dói, é claro, mas é necessário. É hora de acordar. Com meus braços, empurro o medo direto para o chão. Coitado. Depois disso, ele apanhou. Muito. Tive pena dele, mas era necessário. No final, sobrou eu. Apenas.
Depois de toda essa luta intensamente louca, meu olhos abrem. Percebo que o medo passou. O que eu mais temia não era tão monstruoso assim.
Fiz cena, fiquei maluca. Por coisa boba. Fantasiei o medo de uma forma tão imensa que, quando me dei conta e comecei a usar a razão, percebi que a tempestade foi apenas em um copo d'água. 
Sobre os medos: enfrente-os com toda a garra possível e, siga meu melhor conselho, não se precipite com eles.

28 fevereiro 2014

A graça da vida


Ana era uma menina, muito séria por sinal. Ela era a primeira da turma da escola, a primeira na aula de ballet e a primeira no cursinho de artes. Ana era muito esforçada e sempre conseguia tudo que queria com o seu esforço. Porém, Ana não ria. Ela dizia que era perda de tempo fazê-lo.
Certo dia, Ana encontrou um cachorro perdido no parque. Ela estava sentada e o cão logo veio em sua direção. Ele era do tipo labrador com sua estonteante cor creme. O cão não se conteve e começou a festejar a garota com pulos e lambidas. Ana riu.
De repente, quando Ana tomou consciência de seu sorriso, sorriu mais ainda. Ela achou aquele ato de sorrir maravilhoso, nunca tinha se deliciando tanto com tal. 
A partir desse dia, Ana encontrou a graça da vida e percebeu que levar tudo tão a sério não leva a lugar nenhum. Ser leve e alegre é como uma anestesia para viver, pois deixa nossos problemas menores e nossas dores mais humanas.
A graça da vida pode estar em qualquer lugar. Mas o melhor é quando a encontramos dentro de nós mesmos.