25 agosto 2014

Aquele abraço faz tanta falta


Hoje bateu uma imensa saudade, daquele tipo que esvazia o peito e enche-o de solidão. Eu lembrei do tempo. O tempo foi tão cruel... Durante minutos, as palavras fugiram da boca, dando lugar as lágrimas espalhadas, num todo formando o teu rosto. Esse rosto que eu sei que jamais vou ver de novo. 
O clima é de nostalgia, com uma pitada de tristeza. A trilha sonora é recheada com as lembranças das tuas palavras, das nossas conversas. Lembra que fizemos planos para o final do ano? Eu já imaginava o vestido no teu corpo, completamente linda, se enchendo de orgulho de mais uma etapa de minha vida concluída. 
Sabia que eu sinto falta das tuas ligações? Aquela voz, perguntando se eu estava bem, mandando um beijo cheio de ternura para mim. Eu morro de saudades das tuas birras, aliás, das nossas birras. 
De todas as coisas, a mais valiosa para mim foi ter aprendido contigo a valorizar as pequenas coisas e fazer destas momentos valiosos. De todas as coisas que eu desejo, a que eu mais queria que se realizasse era poder voltar atrás no tempo. Eu sei, não dá. Não custa sonhar...
É inevitável te esquecer. É impossível não sentir a tua ausência. É difícil aceitar a perda. Dói.
Aquele abraço faz tanta falta. As lembranças conseguem ser as mais torturantes quando querem. A dor consegue ser a mais profunda quando pode. 
Tem momentos que o desespero me pega desprevenida e me toma por completo. Eu só não sei o que fazer, ninguém me ensinou a sofrer, não pensei que essa tarefa fosse tão complicada.
Uma hora as palavras começam a fazer sentido novamente. A vida continua. 
Depois de chorar, as lágrimas secam. As pernas levantam e começam a andar. A vida vai tomando seu lugar e eu, algum dia, espero saber o sentido de todos esses caminhos que meus pés cansaram de trilhar.

03 junho 2014

Deixar saudade


Eu quero ser o tipo de pessoa que deixa saudade. Não aquela saudade de um fim de relacionamento ou algo mal resolvido, mas uma saudade gostosa.
Eu quero ser lembrada com carinho e ouvir a frase "você faz falta aqui".
Eu quero ouvir meu nome no coração daqueles que quero bem, sabendo que o que construí ficou guardado na memória de cada um.
Eu quero também ser surpreendida pela saudade, ouvir sua palavra de quem menos esperava. Saudade também é coragem.
Eu sinto saudade e sei que ela também dói, mas assumo essa dor. O preço a se pagar por isso é alto, mas o seu conforto também é elevado.
A saudade é nossa história entranhada no peito alheio. Senti-la é saber que vivemos. Assumi-la é saber que amamos. Não existe declaração mais pura que a saudade, porque ela significa que sentimos falta de alguém. Nem todo mundo assume que precisa de alguém. Eu assumo e corro todos os riscos. Viver é uma constante prova de amor.
E se no final, quando tudo acabar, não houver pedaços de mim espalhados nos corações de quem amei, de que servirá toda essa vida?
Eu quero deixar saudade, mas melhor que isso é deixar a presença em cada dia. Será bom ser lembrada, mas não melhor do que ser vivida.

04 maio 2014

Eu mudei...



Eu mudei. Eu tive que mudar.
Primeiro, pensei que fosse por ele. Carreguei por tempos essa certeza nas costas. Depois, comecei a pensar que talvez minha mudança tenha sido por ela. Quem sabe para colocar-lhe um sorriso no rosto ou fazer-lhe sonhar.
Mas as minhas certezas já não eram mais certas e os meus medos migraram para outro lugar. Passei a conhecer habitantes novos nos meus pesadelos. Tudo era diferente. Tudo era mais. Tudo era. Confuso.
Chegou um tempo em que minhas lágrimas eram constantes, mas não saiam dos meus olhos. Eu aprendera a gritar com a voz do coração. Como se tudo isso não bastasse, comecei a me sentir tão só. O mundo está tão cheio de pessoas tão vazias. Todo mundo fala tanto, mas não diz nada. Comecei a aprender que esse mundo já não é o mesmo. Quem sabe, talvez, eu já não seja a mesma.
Fechei os olhos. Eu estava em um lugar diferente. Não havia ignorância e vaidade. As pessoas eram boas, elas entendiam o amor e não o julgavam como algo tolo e ingênuo.
Meus olhos abriram. Eu estava imóvel no sofá. Tudo ao meu redor estava igual e descobri que não tinha ido a lugar algum. Coitada de mim em pensar assim. Era óbvio que eu tinha ido a algum lugar: eu viajei para dentro de minha própria alma. Percebi, de fato, que eu havia mudado, mas não foi por ninguém. Eu mudei, na verdade, apenas por mim.

10 abril 2014

Quando teus olhos fecharam


Outono. Uma manhã. O teu coração. O meu.
Eu fecho meus olhos por um instante e o tempo foge lá para trás. É verão. Tem sol. Tem você. Tem eu. Na verdade, tem todos nós. Os risos. As brigas. As reclamações. Os abraços. As histórias. Tudo. Teu colo. Teu cheiro.
Abro os olhos. Percebo a calamidade que me rodeia. O teu olho, quase imóvel. Tua alma com o mesmo jeito doce de ser. O nosso último abraço. Lágrimas.
Ninguém quer. Eu não quero. Te perder. Não. Fica. Não vai. Me cuida. Continua comigo. Continua conosco.
Teus olhos vão fechando. Tua respiração está mais fraca. Tu estás tão fraca. Nós estamos tão... fracos. Vai ver é isso mesmo, o ser humano não passa de um fraco. Eu sei. Eu sei que nascemos, vivemos e morremos. Mas no final não somos mais que nada. Não podemos fazer nada. Eu não queria te deixar ir assim. Mas eu não sou nada. Não consegui fazer nada. Desculpa.
Teus olhos fecharam. Tua respiração parou. Tu se foi. Tranquila. Foi. E eu, aqui, desamparada de teu colo. Por que tu foste? Já estava na hora. Hora injusta.
E agora, eu fiquei. Tu se foi. A saudade ficou. Vai ficar. Até a gente se encontrar.

(Homenagem a minha amada vó, que se foi no dia 09.04.14, fica com Deus e olhe por nós.)

06 abril 2014

Resenha: Cartas a Amélia


Boa noite, leitores, como estão? Hoje venho trazer-lhes a resenha do livro Cartas a Amélia, de Pedro Costi, parceiro literário do Depois do Café.
De antemão, digo-lhes que a história de Pierre fez-me ter um novo olhar sobre o mundo, a vida e tudo mais.
Resenha: A história fala de Pierre ou talvez Pierre fale da história. Pierre, o poeta. Em busca de encontrar algo que nem ele sabe, Pierre sai em uma viagem e encontra muito mais do que esperava: encontra a si. Toda história é contada através de cartas, cartas a Amélia, o seu grande amor.
Pierre tem vinte e sete anos e viaja para lugares da França em busca de, como diz "Acho que busco paz. Ou um sorriso".
Na sua vivência, Pierre reflete sobre a vida e o sentido que ela nos é dado. O livro possui 173 páginas de pura poesia. Várias de suas reflexões em meio de seus devaneios chamaram-me a atenção. "E se a loucura for contagiosa, minha querida Amélia, e formos todos loucos? Isso nos torna sãos?".
O dia 1 começa quando Pierre parte de seu apartamento, em algum lugar a oeste, com apenas "alguns pares de meias e um lápis, entre outras coisas indispensáveis ao crescimento humano - como meu kit engraxate. Trouxe meu ioiô. (...) No meu bolso direito, guardei uma caneta e um metro de barbante. No esquerdo, minha carteira e uma concha. No bolso do casaco, um caderno e dois botões reserva. Por quê? Ora, não sei quanto tempo terá minha viagem, e não há desastre maior que perder os próprios botões."
Em sua primeira viagem, Pierre conhece uma senhora chamada Sofia, em que dela ganhou um cachecol e muitas lembranças. Em outra, conhece um louco, em que dele ganhou um corvo e palavras bonitas. Conheceu também Francis, uma estátua viva que lhe deu a poesia em forma de silêncio. Léon, outro grande amigo que conheceu. Este, por sua vez, um músico que carregava em si o dom da melodia. "Cantar com a alma. O segredo. Afinal, o segredo de todas as coisas. Fazê-las com a alma". Encantou-se com Anne, a artista florista que deu-lhe a chance de ver a verdadeira beleza de uma rosa amarela. Conheceu a doce Gabrielle, da qual roubou seu afeto e alguns chás de manjerona e outros de lavanda. A pequena Agnès, não tão pequena quanto sua alma gigantesca. Creio que os ensinamentos de crianças são aqueles dos mais sábios. Conheceu tantas pessoas, todos artistas e poetas da vida. Cada um na sua mais variada imperfeição. Cada um tão humano. Cada um em sua perfeição. "E foi então que decidi, Amélia, que a raça humana ainda tem esperança. O mundo está cheio de poetas, e nem todos desgraçados! Isso me conforta quase tanto quanto teu abraço".
Todas essas partidas, encontros, beijos, abraços, vinhos e Chopin, tudo serviu para o encontro do que Pierre buscava. E tudo isso para encontrar o que eu, mera leitora, nem esperava encontrar. Nessas doces palavras de Costi, encontrei a vida envelopada na poesia. 
"Minha jornada chegou ao fim, minha doce, linda Amélia. Minha poesia está pronta. Minha alma está pronta. Eu estou pronto. Começarei uma nova vida por aqui. Gosto das memórias e da proximidade que a água me proporciona. Gosto de ouvir teu nome".
Houve partes do livro que fiquei abismada com a beleza de cada palavra que meus olhos percorriam. Questionei-me, do início ao fim, sobre a existência de Amélia. As cartas, das quais ainda não haviam sido enviadas, estavam ali, quietinhas esperando a hora de mostrar sua beleza. 
Sobre Cartas a Amélia? Leia e, somente depois, perceba a graça de toda a vida e o sentido que nós, humanos-poetas ou poetas-humanos podemos lhe dar.
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30 março 2014

Sobre ausência, desculpas e vida de gente grande


Olá leitores, estão todos bem? Já faz algumas semanas que eu não posto no Depois do Café, hoje venho me desculpar e explicar os motivos. 
Bom, a temporada de provas e trabalhos na escola começou, um motivo para eu ter deixado o blog de lado para me dedicar ao estudo. O cursinho a noite também começou. Conciliar tudo com o trabalho a tarde não é tão simples, ainda mais que esse ano sou uma vestibulanda. Enfim, esse período longe do Depois do Café foi por extrema dedicação aos estudos. 
Ficar longe do Depois do Café não é nem um pouco fácil para mim. Eu sou completamente apaixonada por esse blog e criei ele justamente para compartilhar os meus pensamentos com o mundo inteiro. Não é e nunca foi um trabalho ou obrigação ficar postando aqui. Só que me deixa profundamente triste ter que deixá-lo de lado de vez em quando. Mas é necessário.
Na verdade, minha rotina esse ano está completamente diferente. Essa vida de gente grande não é fácil e tampouco divertida. Mas eu tenho um foco na vida, objetivos e sonhos e por isso prefiro sacrificar algumas coisas para alcançar o que eu sempre quis. Eu estou me esforçando, de verdade, para final do ano prestar vestibular e sair bem colocada. Mas a frequência de posts no blog vai diminuir. Eu não estou feliz com isso. Mas é necessário. Essa experiência de ser uma mulher responsável e blá blá blá me mostrou que nem tudo que nós queremos, nós temos.
Essa ausência não é permanente. Juro que vou postar sempre que puder. Vou triplicar os minutos para poder ficar aqui. Não é tão fácil assim, mas o Depois do Café não vai parar.
Espero, sinceramente, que vocês leitores entendam a minha ausência. Eu vou estar aqui sempre que puder.
Muitos beijos, 
Victoria Debortoli 

13 março 2014

Não somos apenas números


Os números, esses que aprendemos quando crianças e levamos para o resto de nossas vidas. Primeiro, aprendemos a contá-los: um, dois, três. É uma façanha cada vez que os repetimos. Logo, nos ensinam a fazer contas com eles: somar, subtrair, dividir e multiplicar. Quado crianças, não percebemos a dimensão dos números. Quando crescemos, vemos que eles já não se encontram apenas em livros matemáticos, mas em todos as disciplinas escolares. E vão além. Descobrimos que o mundo tem um número x de pessoas, que x números de pessoas preferem a cor azul, que x número de pessoas preferem cabelos ruivos a loiros, entre tantos outros exemplos. Até esse ponto, tudo bem. Seria impossível dizer que o mundo todo conta com Maria, Ana, Pedro, João... Enlouquecedor.
O problema é quando esse número toma a frente do nosso humanismo. Não somos apenas números. Temos sentimentos. Pensamento. Vivemos. Respiramos. Amamos. Devemos ser tratados como tal. Porém, chega um dia em que você conhece alguém e compartilha com ele todos seus pensamentos. Você já não trata esse alguém como o número um ou dois, mas sim o único. Então, chega um dia em que você descobre que o mais um na verdade é você. Esse alguém que você tornou único, simplesmente não te retornou da forma que você esperava. Nada de julgamentos com as pessoas, nem sempre os atos são feitos pensados e sentidos. A maioria deles é apenas pensado. Depois de todo esse caos existencial, você perde o rumo da situação. Pensa que todos o ignoram, quer correr e se esconder. Não é o fim. Nunca seremos apenas números.
O que a maioria das pessoas não compreende é que assim como somos amados por alguns, não fazemos a mínima diferença para outros. Isso não é ser ignorado ou não amado. Isso apenas é a vida. Mas antes de qualquer pessoa te dizer que você não é só mais um, você precisa dar-se conta desse fato por si só. Se nos dermos conta do nosso próprio valor, haverá muito menos decepções por esse conceito numérico que nos é imposto. Se o pedirem para subtrair, subtraia sem pensar duas vezes. Agora, se pedirem para somar, some todo seu amor com o do mundo e seja feliz com seus pensamentos.